Fique atento ao Azul – A união é o remédio

In Entrevista

O mês de novembro chegou ao fim, e vai fechar com chave de ouro a campanha sobre prevenção do câncer de próstata. Finalizamos essa série. Abordamos desde diagnóstico, tratamento e prevenção. Hoje é o dia de falar sobre pessoas que estão ligadas aos sentimentos mais profundos que o ser humano possa ter: a família. Além de todos os procedimentos necessários durante essa fase, família e pessoas próximas que darão todo apoio, forças, confiança, firmeza para passar por esse momento. O urologista Carlos Bautzer conta à repórter Kelyse Rodrigues a respeito da relevância da família durante a luta contra o câncer.

ABJ Notícias: Ao receber a notícia do câncer o paciente pode querer se afastar das pessoas próximas?

Carlos Bautzer: Qualquer diagnóstico grave, principalmente quando se usa a palavra “câncer” pode trazer uma sensação de distanciamento e de morte mais próxima. Porém, é exatamente nessas situações, que devemos procurar o apoio familiar para nos trazer maior coragem e determinação para enfrentarmos essa doença que pode ser muitas vezes curável ou controlada.

ABJ: Qual o papel desempenhado pela família durante esse processo?

Bautzer: O apoio psicológico e nas decisões tomadas pelo paciente são essenciais para o bom resultado. Além disso, a compreensão da parceira e dos efeitos colaterais que os tratamentos podem trazer para o paciente ajuda muito para que o paciente não se sinta diminuído ou “menos homem”.

ABJ: Estar disposto a conversar e ouvir o paciente vai ajudar?

Bautzer: Sempre, inclusive nas consultas e para tirar dúvidas que muitas vezes não são perguntadas pelo próprio paciente pelo “susto” do diagnóstico ou por não querer enfrentar os problemas que poderão surgir.

ABJ: É importante que a família busque saber do assunto e entenda o que está se passando com o paciente?

Bautzer: Certamente. Principalmente a companheira desse paciente. É importante lembrar que a decisão do paciente será respeitada, mas o apoio familiar e a compreensão de todos será necessária para a melhor decisão.

ABJ: No início do tratamento é natural que o paciente se sinta mais fraco?

Bautzer: Depende do tratamento, mas no caso de tratamento hormonal, ou seja no bloqueio da produção ou da ação da testosterona, o paciente pode sentir mais fraqueza e queda de libido, além de fogachos (os “calores” que as mulheres menopausas podem enfrentar). A atividade física frequente e a orientação quanto a esses efeitos ajuda nessa fase inicial.

ABJ: Que atividades com pessoas próximas podem ajudar o paciente a não desanimar?

Bautzer: Manter o pensamento positivo, sempre na busca da resolução do problema, além do incentivo nas atividades físicas pode ajudar.

ABJ: A notícia do câncer abala o paciente, os familiares podem se sentir abalados?

Bautzer: Sim, todas as pessoas que se sintam próximas ao paciente podem se sentir abaladas com o diagnóstico. A resiliência, ou capacidade de assimilar essas notícias ruins, é que pode ser muito importante para conseguir escolher o melhor tratamento e enfrentá-lo de maneira positiva.

ABJ: Grupos de apoio feitos para apoiar esses pacientes ajudam? Quais seus objetivos?

Bautzer: Podem ajudar dependendo da personalidade de cada paciente. Nesses grupos, experiências são compartilhadas, o que ajuda no aspecto que todas as dificuldades não são exclusivas suas e que poderão ser superadas de maneira positiva.

ABJ: Existem casos em que o paciente teve uma melhora rápida e eficaz pelo apoio de pessoas próximas?

Bautzer: Sempre que um tratamento é indicado e o paciente entende o “preço a pagar” pela sua escolha (ou seja, quais serão as dificuldades ou efeitos colaterais que podem surgir), o tratamento transcorre de maneira mais tranquila. Dessa maneira, os pontos positivos são ressaltados (como a queda do PSA, por exemplo) e os pontos negativos são reduzidos (porque já se sabia previamente que poderiam acontecer e qual a atitude a ser tomada em relação a eles). Assim, a decisão compartilhada com o paciente e a família sobre o tratamento a ser realizado se torna primordial para o bom resultado, com apoio crescente de todos ao seu redor.

Doutor Carlos Bautzer é formado em medicina pela USP, especialista em urologia e membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia. Atualmente ocupa o cargo de médico assistente da disciplina de urologia da Faculdade de Medicina do ABC.

Link da imagem:

https://goo.gl/WTiX9Z

Foto cedida pelo entrevistado.

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